domingo, 18 de abril de 2010

Cigana Oblíqua


Vai minha poesia na virada dos sonhos póstumos
Onde rasguei minha alma, amanheci meu cansaço
E apunhalei-me ás avessas com os dois gumes do amor.
Vai a cigana oblíqua para lembrares que estarei bailando
Sem pudor, nas rimas das ancas, dos versos traiçoeiros,
Nas mãos irreverentes dos desapegos.
Vai minha cópia rasurada. Serei os lábios da ironia,
Afamada e desbocada, num beijo de asco e lira.
Rodarei as minhas saias, teias negras em chitas de mentira.
A tua lembrança e minha vingança...
E na gana da façanha de tudo que engana
Nua e crua vestirei tua farsa. Dançarei teu sarcasmo.
Serei a febre do teu delírio. O corpo que jamais tocarás,
Te devolvendo assim a minha dor.
(Cris) 2007

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